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Artigos Laboratório Ótico Rigor

22/09/2005

Estetica de prisma: será que compensa?

A proposta é tentadora: através da estética de prisma (ou efeito prismático) é possível afinar lentes com dioptrias mais altas, tornando-as mais leves e bonitas, mas será que todos conseguem dizer exatamente qual é o limite para sacrificar o conforto em prol de óculos mais bonitos?
 
Vamos comparar uma lente com estética de prisma a um sapato feminino de salto muito fino e alto. Esteticamente, esse tipo de sapato é considerado elegante, clássico, bonito, enfim, um verdadeiro símbolo de elegância e ícone da sensualidade feminina. Acredite: toda mulher que experimentou esse tipo de sapato, após muito tempo em cima do salto – trocadilhos à parte – sente um imenso desconforto. Dependendo do tamanho do salto, alguns minutos são suficientes para acabar com o humor de qualquer mulher.
 
Agora voltemos à estética de prisma. Assim como no caso do sapato feminino, todo o benefício gira em torno da beleza. Ponto. Prejuízos? Muitos. Vão desde um ligeiro desconforto visual até a diplopia (formação de imagens duplas). Imagine ter que dirigir usando óculos onde você enxergue carros em dose dupla?
 
Descentrações
 
Cada lente pode ser representada como 2 prismas interligados. Em uma lente convergente (poder dióptrico positivo – fig.A) os prismas são ligados por suas bases enquanto em uma lente divergente (poder dióptrico negativo – fig.B) os prismas são ligados por seus ápices. Na junção dos dois prismas encontra-se o centro óptico da lente.
 
Frentes de ondas de luz não mudam de direção ao passarem pelo centro óptico, mas ao passarem fora deste ponto sofrem um determinado desvio. Melhor dizendo: ao olhar uma imagem através do centro óptico, ela manterá fielmente sua posição; ao olhá-la através de qualquer outro ponto na lente, a imagem terá sua percepção alterada. Para ter noção do que acontece, basta pegar um prisma e olhar através dele.
 
Esse efeito depende diretamente de dois valores: da dioptria da lente e da distância entre o centro óptico da lente e o ponto onde a medida da refração é considerada.  Ele pode ser demonstrado por uma regra chamada de Regra de Prentice:
 

P= d (em cm) x |D|
d =
distância entre o centro óptico da lente e o ponto de medida.
D = grau da lente em dioptrias

 
Colocando em prática: considerando uma dioptria de 1.00D e uma distância de 4 milímetros entre o centro óptico e o ponto de medida, vamos ter: P= 0,04 cm x 1= 0,04D. O efeito prismático é relativamente baixo, logo tolerável. Mas considerando um caso onde o usuário tenha uma dioptria de 10.00D ele terá um efeito prismático de 4D, resultando em distúrbios na visão. Usuários com anisometropia alta, sob efeito de descentralização, podem chegar a ver imagens duplas – o fenômeno conhecido como diplopia.
 
E novamente entramos na questão sobre qual o limite tangível para optarmos ou não pela estética de prisma. Vamos voltar a traçar um paralelo entre a estética de prisma e o sapato de salto alto. Mesmo com todo o desconforto do salto alto, há mulheres que usam. Da mesma forma podem existir pessoas que optem por lentes com estética de prisma, mas a escolha deve ser estritamente do usuário. Cabe somente a ele e a mais ninguém, optar por esse tipo de desconforto. E que ele esteja consciente, assim como a mulher que usa salto alto, dos males que por ventura possa vir a sofrer.
 
Essa sim é a maneira ideal para que toda óptica possa oferecer a estética de prisma para seu cliente sem incorrer em erro. Lembre-se sempre: falar a verdade é a melhor maneira de manter um cliente fidelizado.
 
Autora: Roberta Borges (Marketing Rigor)

Colaborou Tarcisio Mauro  (responsável técnico do Laboratório Rigor)