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14/09/2006

Óculos Panorâmicos

Armações panorâmicas dão um estilo a mais e são forte tendência da atualidade, mas devem ser escolhidas com cautela, pois dependendo da ametropia e da dioptria do cliente, podem não surtir o resultado desejado.

As armações panorâmicas (ou curvadas) são aquelas do tipo que seguem o contorno do rosto. Hoje ganharam tamanho maior, para garantir que a moda seja totalmente compatível com o estilo “saudável de ser” da atualidade. Como exemplo, podemos citar os modelos que foram utilizados por Fernanda Montenegro e Carolina Ferraz na novela Belíssima ou os que a modelo Gisele Bünchen utiliza dentro e fora das passarelas.

O aumento do tamanho das armações não é apenas um mimo oriundo dos modismos que vão e vêm. A moda agora é a busca por uma vida mais saudável. A nova tendência promete permanecer por muito tempo – e há quem jure que veio para ficar. Ok, vamos confessar que não necessariamente é uma questão apenas de saúde ou prevenção de doenças. Nas entrelinhas, leia-se que essa tendência surgiu mais por questões estéticas do que por saúde propriamente dita.

Os óculos panorâmicos atuais funcionam realmente como máscaras, impedindo a passagem de luz solar e conseqüentemente protegendo as pálpebras dos nocivos raios Ultra-violeta, tanto pelo próprio tamanho da armação quanto pela proteção UV que existe na maioria das lentes de óculos de griffe. Resultado: prevenção de rugas e de doenças da pálpebra e dos olhos. Salve-salve idolatrada moda. O público feminino agradece – e adere – deliciosamente a esta moda.

Para quem não tem problemas de visão não há contra-indicações, pois as lentes são planas, restando ao usuário apenas prestar atenção na qualidade do produto comprado, escolher o modelo mais adequado para seu tipo de rosto e estilo e pronto: sucesso total. No entanto, para os óculos de receituário (ou de grau), a história muda bastante. Dependendo do problema do usuário e do tipo de armação escolhida, os resultados podem ser desastrosos tanto esteticamente quanto para o próprio conforto visual.


Curvatura



O maior problema em óculos panorâmicos está na curvatura acentuada das armações. E ele pode ser verificado tanto para dioptrias (graus) negativas quanto positivas. Como regra geral pode-se considerar a seguinte frase:

Quanto maior a dioptria e a curvatura, menores são as chances de obtermos óculos panorâmicos com uma boa acuidade visual.

Lentes positivas: Quanto maior a dioptria do usuário, mais altas são as bases. Numa primeira análise, pode parecer que não existem grandes preocupações, já que a curvatura da lente acompanha o contorno da armação. No entanto, existem dois pontos que devem ser analisados.  Se o usuário tiver um alto grau positivo, as lentes terão espessura nasal grossa. Além de esteticamente não atenderem às expectativas do cliente, podem causar desconforto pelo peso das lentes. E como a tendência atual pede óculos panorâmicos cada vez maiores, o peso é ainda maior.
 
Obs: exemplo baseado em montagem real, onde o cliente ficou insatisfeito com o resultado.

 

Lentes negativas: Quanto maior a dioptria, mais baixas serão as bases externas. Dependendo do grau do usuário, é necessário confeccionar lentes com curvaturas fora de padrão para garantir uma montagem segura ou então abrir as hastes da armação.

Em qualquer uma das opções escolhidas, o usuário corre sério risco de ficar insatisfeito com o serviço: primeiro pode perder qualidade visual, segundo pode ficar insatisfeito com o resultado estético em função do ajuste da armação não corresponder àquele que foi visto na loja, já que os óculos perdem sua curvatura original, chegando às vezes a ficarem deformados.  


Obs: exemplo baseado em montagem real, onde o cliente ficou insatisfeito com o resultado.
 

Armações em acetato: cuidado redobrado

Para armações de acetato pode surgir mais uma dificuldade relacionada à montagem de óculos em altas dioptrias: o batente, localizado na parte posterior do aro. Para batentes altos onde as lentes sejam muito grossas, o montador não consegue empurrar ou esconder a faceta da lente chanfrando ou deitando-a. Ou seja, mesmo que o usuário tenha permitido a elaboração dos óculos, a montagem torna-se impossível, pois é impedida por uma barreira física da própria armação.

Um batente raso também pode acarretar complicações, pois não confere estabilidade o suficiente para que a lente fique “fixa” nos óculos. Embora seja possível este tipo de montagem, o cliente que escolhe uma armação com batente raso deve saber que as lentes ficam mais suscetíveis a se soltarem.


Tamanho das lentes

Os óculos panorâmicos atuais ganharam tamanho maior e usam lentes cujos diâmetros ultrapassam, na maioria das vezes, 75m/m. Se a óptica passa ao cliente um orçamento baseado no preço de lentes prontas, já começou a ter um problema antes mesmo de elas serem confeccionadas, pois lentes prontas só existem com diâmetro de 65 ou 70 m/m e têm preço diferente de lentes surfaçadas.

Além de problemas com orçamento equivocado, o tamanho grande das lentes também ocasiona óculos mais pesados e lentes mais grossas, conforme já citado anteriormente neste artigo. (Lentes positivas tornam-se grossas no lado nasal enquanto lentes negativas tornam-se grossas no lado temporal.)


Distância vértice

Esta é a distância entre o ápice da córnea e a parte mais profunda da lente. Ela deve ser medida por um optometrista ou oftalmologista e é um dos dados utilizados para a confecção dos óculos.

Tanto em lentes positivas quanto em negativas esta medida pode ser indevidamente alterada pela própria curvatura da armação panorâmica, comprometendo o resultado do exame feito anteriormente pelo profissional, e conseqüentemente, resultando em perda de acuidade visual.

É preciso ter cuidado particularmente com usuários com alto ou médio astigmatismo. Embora esta ametropia não possa ser visivelmente exemplificada como os outros casos, o astigmatismo já é, por si só, um fator que dificulta e confecção das lentes. Somada a uma distância vértice incorreta, resulta em maior perda de acuidade visual.


Transparência com o cliente ainda é a melhor solução

Seja qual for o problema que vier a acontecer com os óculos, é imprescindível que o cliente tenha noção dos resultados. E mais importante ainda: que estes resultados sejam compreendidos e assimilados. Muitas vezes, no calor de uma compra, o cliente se encanta por uma determinada armação e tende a ser seletivo ao ouvir as restrições que o vendedor lhe passa. Dependendo do encantamento pela armação, o usuário se dispõe a pagar qualquer preço para tê-la.  Mas quando os óculos chegam e ele vê que não saíram conforme “aquela linda armação da vitrine, que estava com uma lente plana”, certamente vai ficar chateado e frustrado.

Por isso é importante que a óptica procure ser o mais transparente possível para que o cliente não se sinta enganado ou que a óptica não está lhe demandando a devida atenção que merece. Se o ópitco for sincero e explicar todos os problemas que possam surgir com real clareza, aí a responsabilidade é transferida para o usuário. É claro que haverá casos onde, mesmo após detalhamento de todos os contras, o usuário insista em optar por uma armação imprópria para seu caso. É tal como um cliente que insiste em comprar uma roupa inadequada, mesmo depois que o vendedor mostrou outras opções que se adequariam melhor. Aliás, sabemos que para roupas, apenas o quesito estética está em jogo, o que não ocorre no ramo óptico. Lidar com visão é algo que exige atenção minuciosa. É tentar sempre fazer um casamento viável entre o gosto do usuário e as opções possíveis para seu caso.


Autora: Roberta Borges (Marketing Rigor -13/set/06)
Colaborou: Tarcisio Mauro (Gerente Técnico Rigor e STAR)


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