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16/12/2005

Brasil perde R$ 12,8 bi em impostos com pirataria

O País perde cerca de R$ 12,8 bilhões em arrecadação de impostos com a venda de produtos piratas nos segmentos de brinquedos, roupas e tênis. A estimativa é da Câmara de Comércio dos EUA e do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, a partir de dados de pesquisa encomendada ao Ibope sobre o mercado informal. A estimativa é que apenas em São Paulo 1,6 milhão de pessoas compram brinquedos pirateados no prazo de um ano.

A integrante da Câmara de Comércio dos EUA, Solange Machado, explica que, de forma geral, cerca de 80% dos consumidores já comprou produtos falsificados em São Paulo e no Rio de Janeiro. A compra é intencional e motivada pelo preço mais baixo, geralmente pelo menos 50% mais barato. Em São Paulo, 70% dos que fizeram a opção sabiam que estavam adquirindo um produto pirata - taxa bem superior aos 55% no Rio de Janeiro.

Pontos de venda
A executiva explica que o comércio de produtos piratas no Rio é mais desconcentrado, diversificado entre feiras, ambulantes e outros pontos de vendas. Já em São Paulo, explica Solange, há “shoppings específicos” de mercadoria informal e a freqüência destas compras é maior. Ela também explica que os gastos por produto são maiores em algumas das categorias, até pelo poder aquisitivo maior.
As duas entidades apresentaram ontem resultados da pesquisa do Ibope para o Rio de Janeiro. No primeiro semestre, havia sido divulgado um levantamento específico para São Paulo. Na mesma ocasião, também foi divulgado o dado nacional de perda de arrecadação com roupas e tênis, ao redor de R$ 9 bilhões, atualizado agora com as projeções sobre o comércio de brinquedos.

Preços parecidos

As entidades avaliam que há similaridades no comércio de produtos ilegais nas duas capitais, como preços parecidos, o que indica “a estruturação e organização do crime existente por trás deste mercado”. “Pirataria e contrabando andam de mãos dadas”, comentou o diretor da Mattel do Brasil, Ronald Schaffer. A empresa, uma das maiores do mundo, fabrica a boneca Barbie.
A multinacional também patrocinou o estudo, junto com o IDS (Instituto Dannemann Siemsen). Os resultados mostram que 22% dos consumidores paulistas compraram brinquedo no mercado informal nos últimos 12 meses, pouco abaixo da taxa nacional (24%). Em média, foram seis compras de brinquedos no período, a R$ 11,61, cada um. No Rio, a taxa foi de 14%, no caso de brinquedos.

Presentes

É o caso da operadora de caixa Viviane Pacheco, 26 anos. Ela precisa comprar cinco presentes de Natal para crianças da família nos camelôs do Rio. “Prefiro assim. E para quebrar está bom”, disse, ao ser questionada sobre o risco de os produtos não terem qualidade. No centro da cidade, ela procurava pista de corrida por R$ 60,00, que sairia o dobro no mercado formal.
Numa barraca próxima, o comerciante Douglas Ramos, 29 anos, procurava um par de tênis, com amortecimento na sola, ao preço de R$ 40,00. O produto tinha um desenho parecido com o de grifes famosas, mas não exibia marcas. “Vou pelo preço. Um tênis deste tipo, de marca, sairia por R$ 100,00”, comenta Ramos. Outra conclusão do levantamento feito no Rio é que este tipo de consumo avança sobre os mais jovens e independe da classe econômica.

São Paulo

Em São Paulo, 31% dos consumidores compraram roupa pirateada nos doze meses anteriores, 21% tênis, 18% relógios, 17% jogos eletrônicos, 16% óculos e 10%, canetas - todos os itens informais. A pesquisa divulgada ontem mostra que a maioria dos consumidores sabe que a pirataria contribui para a sonegação mas eles apresentam dois argumentos básicos: “marcas famosas têm lucros muito grandes com altos preços e não são prejudicadas seriamente pelo consumo de falsificações” e “produção e comércio de falsificações geram muitos empregos nos países pobres, enquanto marcas famosas só nos ricos”.

Fonte: Nilson Brandão Junior (AE) - 14/12/05 (www.acidade.com.br)