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04/01/2006

Teste do olhinho

O exame do Reflexo Vermelho, também conhecido como Teste do Olhinho, deveria ser realizado em todo recém-nascido, ainda antes de sua saída da maternidade. Ele pode detectar diversos problemas oculares e tem como principal finalidade o diagnóstico precoce da catarata congênita. De acordo com o dr. Luis Carlos Ferreira de Sá, oftalmologista do Hospital São Luiz e do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP, ambos em São Paulo, o exame já pode ser realizado nas primeiras horas de vida do bebê e não tem contra-indicações. “É rápido e simples e evita sérios problemas de visão no futuro. No caso da catarata congênita, caso não seja diagnosticada e tratada a tempo, pode levar à perda da visão”. O especialista explica que a catarata congênita, em muitas ocasiões, não é percebida pelos pais. Nesses casos, quando eles começam a notar que há algum problema, já se passou tempo demais. “A criança não sabe enxergar ao nascer. Ela desenvolve esta capacidade à medida que recebe estímulos visuais. Assim, se a catarata não é diagnosticada e tratada imediatamente, a visão pode ficar comprometida definitivamente. Quando o problema está em apenas um dos olhos, é ainda mais complicado, pois a criança receberá estímulo em um dos lados, que se desenvolverá normalmente. A diferença entre os olhos vai ficando cada vez maior, com o passar do tempo, até que, com a falta de diagnóstico e de tratamento, a perda de visão pode ser irreversível”.
 
O EXAME
 
O Teste do Olhinho pode ser realizado pelo oftalmologista, por um pediatra, ou por outro profissional devidamente treinado. Por meio de uma fonte de luz observa-se o reflexo que vem das pupilas. Quando a retina é atingida, normalmente o reflexo tem tons de vermelho, laranja ou amarelo. Isso significa que as principais estruturas internas do olho estão transparentes. Já quando há alguma alteração, não é possível observar o reflexo ou sua qualidade é ruim. A comparação dos reflexos dos dois olhos também fornece informações importantes, como diferenças de grau entre olhos ou o estrabismo. “Infelizmente, hoje em dia o exame não é feito em todos os hospitais e maternidades de forma obrigatória, como o teste do pezinho. Aconselho os pais que perguntem ao pediatra a quais exames o recém-nascido foi submetido e, caso não tenha sido feito o Teste do Olhinho, que conversem na maternidade sobre a possibilidade de sua realização antes de saírem com o bebê”, orienta o dr. Luis Carlos. Vale lembrar que o teste tornou-se obrigatório em todos os berçários do município de São Paulo com a lei nº 13.463 de 3 de dezembro de 2002, regulamentada pelo decreto nº 42.877 de 19 de fevereiro de 2003.
 
PREVENÇÃO
 
No caso de crianças prematuras ao extremo, que tenham nascido com peso inferior a 1500 gramas, ou com idade gestacional abaixo de 32 semanas, o especialista indica outra avaliação mais complexa e por um oftalmologista especializado, para rastreamento de uma doença específica da retina do prematuro, chamada de Retinopatia da Prematuridade. Nos demais casos, após resultado normal no Teste do Olhinho e sem nenhuma queixa, o retorno ao oftalmologista deve acontecer por volta dos três anos de idade.
 
Fonte: Opticanet (Jornal da Mulher - 23/12/2005)