21/02/2006
Verão aumenta a síndrome do olho vermelho
Olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, fotofobia e visão borrada são os sintomas da síndrome do olho vermelho que cresce 20% no verão, segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier e diretor médico do Banco de Olhos de Campinas, Leôncio Queiroz Neto. Ele explica que o olho é o órgão mais afetado no calor devido às mudanças de hábitos, oscilações do tempo e proliferação de bactérias no ar.
Estes sintomas podem ser sinais de conjuntivite, alergia, ceratite ou olho seco. Para cada caso o tratamento é diferente, ressalta, mas 30% dos brasileiros costumam se automedicar e acabam colocando a visão em risco, conforme recente pesquisa finalizada pelo médico sobre uso de colírio no Brasil.
Entre crianças, problemas oculares no verão são ainda mais freqüentes. Só para se ter uma idéia, quatro em cada 10 crianças que freqüentam piscinas e praias têm síndrome do olho vermelho, observa, porque costumam ficar mais tempo na água e nadar de olhos abertos sem óculos de proteção.
Esse contato dos olhos com excesso ou falta de cloro nas piscinas e água contaminada do mar costuma causar nas crianças alergia ocular, conjuntivite viral ou bacteriana. O Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC) demonstra que 20% da população brasileira têm alergia e seis em cada 10 alérgicos manifestam o problema nos olhos. Os sintomas da alergia ocular e conjuntivite viral são idênticos – coceira, olhos irritados, fotofobia e visão borrada - diz Queiroz Neto. Mas a alergia ocular é tratada com colírio anti-histamínico e para conjuntivite viral é indicado o uso de colírio antiinflamatório e compressas geladas durante uma semana. Já a conjuntivite bacteriana provoca uma secreção amarelada e o tratamento é feito com colírio antibiótico também por uma semana. Queiroz Neto ressalta que o uso prolongado de colírio antiinflamatório é perigoso porque geralmente contém corticóide que aumenta o risco de surgir catarata e glaucoma Por outro lado, adverte, quem invés de proteger os olhos com óculos de natação cria o hábito de usar colírio vasoconstritor para combater a irritação ocular tem maior predisposição à catarata precoce. O medicamento também diminui a circulação sanguínea e de oxigênio, desprotegendo os olhos diz. A prevenção com óculos de natação ainda é o melhor remédio porque mesmo uma simples conjuntivite quando mal tratada pode reincidir de forma bem mais grave, muitas vezes causando ceratite, alerta. Já as alergias oculares podem progredir para ceratocone, maior causa de transplante de córnea.
CALOR PODE DANIFICAR A CÓRNEA DE ADULTOS
Abuso de lentes de contato, ar condicionado e viagens aéreas longas são os maiores riscos.
Se entre crianças os maiores vilões são a água do mar e piscina, no verão adultos têm maior predisposição a ceratite (inflamação da córnea) e olho seco principalmente entre os que usam lentes de contato, têm idade avançada e mulheres na pós-menopausa., afirma Queiroz Neto.
O uso de lentes de contato por muito tempo, o excesso de ar condicionado que retira a umidade do ar e viagens aéreas longas podem fazer com que a oxigenação da córnea seja insuficiente.
A córnea, explica, tem a função de proteger o olho e absorve o oxigênio de que precisa diretamente do ar, não da corrente sanguínea como as demais estruturas do nosso corpo. A má oxigenação, ressalta, acarreta a inflamação corneana que facilita a contaminação por bactérias e a formação de úlceras. Por isso, a recomendação médica é dar as pausas necessárias no uso das lentes de contato, evitar o abuso de ar condicionado e proteger os olhos com lágrima artificial sem conservantes. Para garantir a produção de lágrima o especialista diz que é importante fazer uma dieta com pouco carboidrato, gordura e carne bovina, porém rica em vitaminas A e E (presentes em alimentos como as frutas, verduras e legumes), além da suplementação com Ômega 3, presente nas sementes de linhaça, nozes e algumas verduras. Nas viagens aéreas por mais de três horas, ele diz que as lentes de contato devem ser retiradas antes do embarque porque nos aviões o ar é mais rarefeito.
Fonte: Opticanet (LDC Comunicação - 15/02/2006)